domingo, 22 de fevereiro de 2015

PARABOLICAMARÁ

(Antes mundo era pequeno, por que terra era grande, hoje mundo é muito grande, por

que Terra é pequena...) Gilberto Gil

Diário de Bordo de Buenos Aires

Os Preparativos:

Uma boa viagem começa com um bom planejamento. Na verdade, a viagem começa

quando ainda estamos pensando em viajar. Sozinhos ou com os filhos, roteiro nacional ou

internacional, de carro ou de avião, não importa. O importante é sair da rotina, viver novas

experiências, curtir. E era isso que estávamos desejando.

No nosso caso decidimos viajar com Letícia, como sempre fizemos desde que ela

nasceu há quase seis anos.

O período: A vantagem da pouca idade de Letícia é que ainda dá para viajar na baixa

estação, mesmo no período escolar, pois o que ela poderia perder na educação formal,

escolar, será compensada com uma visão de mundo que será importante no seu

crescimento pessoal. Foi decisível porém na escolha do mês de outubro, o fato de que nessa

época viajaríamos com apenas 4.000 milhas Smiles o trecho nacional ou 6.000 milhas o

internacional (diga-se América do Sul), ante as 10.000 milhas no período de alta estação.

O destino: Pensamos inicialmente em São Paulo, Rio, Gramado, Beto Carreiro, os

tradicionais destinos infantis do Brasil, entretanto a concorrência com uma viagem

internacional fez a diferença. – Buenos Aires? Com crianças? Nesse frio? (o planejamento

teve início em julho). – Lá não tem nada para criança fazer... Bem, um dos argumentos era

de que lá em Buenos Aires moram pessoas, que se casam (nem sempre homens com

mulheres) e que tem filhos. E esses filhos se divertem. Bastaríamos descobrir onde isso

acontece, e estava feita a festa. Ademais, iríamos no final de outubro, já não estaria tão frio

assim. Compramos (e resgatamos via Smiles) as cinco passagens Recife – Buenos Aires –

Recife com “algumas” conexões e escalas e fomos arrumar as malas.

A hospedagem: Comparamos os preços de alguns hotéis no site argentinahoteis

http://www.goargentina.net/indexP.shtml, porém descobrimos o quanto poderia ser

interessante a hospedagem num apartamento por temporada. Depois de muita pesquisa e

algumas dicas, esbarramos com o site http://www.bytargentina.com/. O site é muito

organizado, traz informações sobre preços, disponibilidade de uma infinidade de

apartamentos com localização, fotos, depoimentos de outros hóspedes, o que ajuda muito

na hora da escolha, ainda disponibiliza a possibilidade de, ao fazer a reserva do

apartamento, reservar também o transfer de ida aeroporto-apartamento. Diante de tantas

opções, teríamos agora de escolher o bairro. Decidimos pelo bairro de Palermo depois de

pesquisar no site http://www.365buenosaires.com/bra/bairros-de-buenos-aires.php o

que mais nos agradou. A partir daí, foi só escolher o apartamento. localizado na Av. Raul

Scalabrini Ortiz, 2444, Bairro de Palermo, perto do metrô, lojas, restaurantes e do zoológico

e como veremos depois, da Casa da Barbie.

Os Custos: como utilizamos seis mil milhas smiles por trecho, por pessoa, nos

livramos do custo de R$ 463,00 por trecho de uma passagem normal, o que foi uma grande

economia. Arcamos, porém, com aproximadamente R$ 180,00 por cada taxa de embarque.

A hospedagem custou R$ 1.400,00 pelos 10 dias, ou seja R$ 140,00 por dia o que dava R$

28,00 por cada um dos cinco viajantes. Custos com alimentação são bem inferiores aos do

Brasil, tanto em supermercados quanto em restaurantes. Os deslocamentos de taxi (R$ 2,30

a bandeirada e R$ 1,15 por quilômetro), ônibus ou metrô (R$ 0,55 cada passagem) são

baratos e eficientes.

14 de setembro 2010 terça-feira.

Ter que chegar ao aeroporto às duas horas da manhã

para pegar um vôo as três, ninguém merece, só sendo

promoção mesmo. Mas a empolgação de realizar uma viagem

que vem sendo programada a mais de um mês, estava

compensando o esforço. Porém o pior ainda estava por vir.

Mais de doze horas para chegar a Buenos Aires nos fez

querer desistir de viajar para sempre. Como consolo, revimos

o Aeroporto de Guarulhos e conhecemos o de Curitiba e o de

Assunção no Paraguai antes de chegar à capital portenha.

Nossa preocupação maior era o que fazer para distrair Letícia, mas como ela foi

dormindo quase a viagem toda, passamos a nos preocupar com o que ela não estava

comendo. Mas no fim deu tudo certo.

A recepção no aeroporto foi tranqüila, comparamos os preços no Free Shop e

trocamos dólares e reais por pesos no Banco de La Nación após comparar a tinha a melhor

cotação. Pesquisamos o traslado ao Apartamento, e optamos em ir mesmo pela VipCar

http://www.transfersystem.com.ar/english/index2.html, que já estava reservada. Como

estamos em três adultos e duas crianças, e muuuuita mala e optamos por ir todos juntos,

pagamos cerca de cem reais por uma Minivan por mais de 30Km, o que devido as

circunstâncias até que não foi tão caro.

Após cerca de uma hora de transfer chegamos ao apartamento, nosso lar pelos

próximos dez dias.

À noite fomos dar uma volta para nos situar e comer algo, já que as refeições no

avião não foram lá essas coisas (diga-se: Péssimas!!). Optamos por umas empanadas que

valeram os dois reais pagos e pedimos uma garrafa pequena de Vasco Viejo a R$ 5,00 para

acompanhar, pois já tínhamos experimentado este vinho e sabíamos que caía bem.

Terminamos com uma pizza do Lucio Pizza e Pasta (recomendada), que fica perto do

apartamento e depois de falarmos com a família, fomos dormir.

Destaque do dia: uma garrafa de Amarula por U$ 21.00 no Free Shop. (Vou deixar pra

comprar na volta...)

2o dia:

15 de setembro 2010 quarta-feira.

Acordamos tarde, talvez devido ao cansaço, talvez devido à boa cama. Já era de se

esperar tendo em vista o tempo da viagem, por isso programamos uma atração que só abre

às 13h.

Ainda pela manhã fui comprar algumas coisas para o café, entre elas, pão, leite,

cereal, suco e o que mais me impressionou, foi encontrar uma garrafa de vinho Gato Negro

por AR$ 12,00, ou seja, MENOS DE R$ 6,00 por um vinho que pagamos R$ 20,00 no Brasil.

(Isso aqui é uma maravilha!!)

Fomos ao Museo de Los Niños http://www.museoabasto.org.ar/ inaugurado em

2009 e localizado no Shopping Abasto. Concordamos que foi uma atração realmente

interessante para as crianças (e para os adultos também!).

Nosso apartamento estava a aproximadamente 100m da estação do metrô, o que

ajudou bastante na ida e na volta. E já imaginou caminhar ao meio dia todo empacotado e

ainda sentir frio?

Na ida o vagão estava lotado, mas logo conseguimos sentar por conta das meninas.

Antes de entrarmos no parque, uma parada básica no Mc Donald ́s para conferir se

os sanduíches daqui são iguais aos de lá, se a batata é tão crocante, se os preços se

equivalem, se os brindes são os mesmos, se o atendimento é igual, se tem suco de uva, se

tem a refeição no 4, entre outras coisas...

O parque tem vários espaços interativos em tamanho reduzido para as crianças se

fantasiarem, como um supermercado, uma loja do Mc Donald ́s, uma oficina, uma escola,

uma estação de rádio e TV, entre outros. Realmente atendeu nossas expectativas,

principalmente as meninas tentando falar espanhol, o que foi impagável (daquelas coisas

que o dinheiro não compra).

Depois demos uma volta no Shopping, fomos à farmácia e voltamos também de

metrô (Nosso querido amigo Subté).

Jantamos (a pizza ainda estava boa) e depois dos costumeiros contatos com a família

fomos dormir.

A noite programada no Tenkuu Sushi vai ficar para outro dia...

Destaque do dia: Sorvete de banana da Sorveteria Freddo (existe dela por toda a cidade!)

3o Dia:

16 de setembro 2010 quinta-feira.

Ainda acordamos tarde, mas não foi culpa do fuso horário, foi cansaço mesmo.

Hoje tem o Prohibido no Tocar (para curiosos de 4 a 100 años)

http://www.mpc.org.ar/, no Centro Cultural Recoleta, ao lado do Cemitério. Vamos ver no

que vai dar...

Fora o stress inicial dos taxis, o deslocamento para a Recoleta foi tranqüilo (cerca de

R$ 10,00 por taxi).

O parque é até interessante; parece o Espaço Ciência do Parque Memorial Arcoverde

(perto do Tacaruna), só que num espaço bem mais concentrado e com umas atrações a

mais, outras a menos.

Depois do parque, fomos almoçar num restaurante perto do cemitério. De entrada,

pedi um chouriço achando que seria carne; Para minha surpresa, a garçonete trouxe uma

lingüiça. Já de prato principal, pedi um bife de chouriço (a surpresa foi maior ainda quando

descobri que não é bife de lingüiça e sim um contrafilé), com batatas fritas ou salada

(alface, tomate e cebola), sem feijão, arroz, farofa, paçoca, manteiga de garrafa, sem nada.

De sobremesa um flan ou sorvete de chocolate, ainda com uma garrafa de vinho DANTON

Cabernet e mais suco de laranja e água, tudo por R$ 100,00. Até que valeu a pena pela

quantidade de comida e pela novidade.

Depois, não iríamos deixar de visitar o Cemitério de La Recoleta

http://www.cementeriorecoleta.com.ar/, para ver o túmulo de Evita Perón, claro, o mais

florido e visitado de todos. Ainda ficamos tentando achar nossos parentes portenhos... Eu

achei um tal de Alejandro Costa, meu parente mais famoso depois de Humberto Costa, quer

dizer, segundo seu próprio epitáfio.

Depois de uma garrafa de vinho, já dentro do cemitério, José C. Paz virou “José

descanse em Paz” (Cris já tinha derrubado meia garrafa de vinho...); Vimos uma figura saída

do Quebra-Nozes (segundo Letícia, aquele príncipe que o Rei Rato transformou em um

Quebra-nozes), entre outros mausoléus interessantes.

Terminamos o dia num city tour até o obelisco. Antes porém, passamos na Rua

Florida para umas compras e um passeio. (Delícia para as mulheres, porém se tornou uma

tortura, pois já estava de noite – diga-se mais de 20h – e a maioria das lojas estava fechada,

e as crianças reclamando do cansaço...)

Destaque do dia: o sorvete de casquinho de Dulce de Leche do Mc Donald ́s.

4o Dia:

17 de setembro 2010 sexta-feira.

Hoje tem Casa da Barbie. http://www.barbie-stores.com/. Talvez seja por isso que

Marcela e Cris acordaram tão cedo. O site não é muito explicativo, daí nossa dúvida sobre

qual o horário nós vamos. Resolvemos então almoçar em casa, mais cedo, para irmos à

tarde. Cris e Marcela estão preparando o almoço regado a nuggets, macarrão como molho

de tomate e outros ingredientes secretos. Como o local dista aproximadamente 700m,

deveremos ir caminhando mesmo.

Pela nossa programação o dia deve terminar no Jardim Japonês

http://www.jardinjapones.org.ar/ , que tem exposição de orquídea, Taiso (um tipo de

ginástica japonesa), meditação e uma visita guiada das três às cinco da tarde. Pelo que

notei, só eu que me empolguei com este passeio.

Dito e feito, a Casa da Barbie fez a festa das meninas do grupo (todas elas dos cinco

aos trinta e cinco anos amaram), mas não empolgou o único homem que as acompanhava.

Aproveitei para ir passear um pouco, viver a alma porteña, relaxar no Parque Las Heras,

onde pude ver casais namorando, garotos jogando futebol, “passea perros” ganhando uns

trocados levando os cães das madames para passear, ver preços de vinhos no Carrefour,

comer um alfajor (que não aprecio muito, mas é o mesmo que ir a Petrolina e não comer

carne de bode), apreciar as vitrines, enfim, passar o tempo enquanto as meninas se

maquiavam e davam, segundo Letícia, uma “chapinha no cabelo”, vê se pode...

Depois de umas comprinhas básicas, partimos para o Jardim Japonês, (duas quadras

adiante) já depois das quatro horas, o que, devido ao frio limitou nosso passeio a umas

fotos, uma visita ao orquidário onde havia uma exposição de orquídeas e um relax.

Na volta, uma parada básica no Mc Donald ́s para repor as energias e voltamos

caminhando, com a preocupação de dar uma passada na calçada do Shopping Alto Palermo

e a constatação que dá para passear as dez da noite mais de 500m sem se preocupar com a

carteira e o celular.

Destaque do dia: No caminho de ida, Cris achou uma cédula de U$ 100.00 (cem dólares) no

chão (Quase não acreditou... Será que era de verdade, ou uma pegadinha de Silvio Santos?).

Isso valia AR$ 400,00 (quatrocentos pesos), ufa!! meu passeio para a Casa da Barbie estava

salvo!!!

P.S.: fala sério: Quando é que se acha US$100.00 NO CHÃO DA RUA?????

5o Dia:

18 de setembro 2010 sábado.

A programação de hoje inclui o Tren de La Costa

http://www.trendelacosta.com.ar/site/, e culmina com o Parque de La Costa

http://www.parquedelacosta.com.ar/, (a família Costa está crescendo), por isso acordamos

cedo, até as meninas.

Após o café, saímos por volta das dez horas, pegamos o metrô, agora em sentido

inverso, em direção ao subúrbio, Linha Verde até a Estação Congresso de Tucumán. Depois

pegamos dois taxis e num percurso de cinco quilômetros até a estação Maipú pagamos a

bagatela de oito reais cada taxi.

Já na estação, compramos os bilhetes de ida e volta para a estação Delta do Tigre e

fomos apreciando a paisagem que margeava o Rio da Prata. O passeio dura

aproximadamente 30 minutos e ao final tem-se a opção de fazer o passeio de barco do

Delta do Rio, o que confesso que só vale a pena fazer se nunca tiver feito, pois é um pouco

cansativo.

Decidimos cumprir o roteiro que era passar o dia no Parque de La Costa e não nos

arrependemos. Entre passeio no carrossel, brinquedão, carrossel, almoço, carrossel, casa

dos espelhos, carrossel, assistimos as peças de teatro da Cinicienta (Cinderela), um show de

mágicas bem legal, uma peça de Peter Pan no Reino do Nunca Jamás (nem tão legal assim) e

desistimos de ver a peça do Cara de Barro (depois de ver Peter Pan falando fino e usando a

peruca do Roberto Leal, não fizemos questão de ver outra peça). As atrações do Parque

terminam com um show de fontes de água lindo, ao som do Queen, realmente imperdível.

Voltamos no mesmo Tren de La Costa, até a estação Maipú, porém optamos em

pegar um trem urbano, ao invés do taxi (para quem está com pouca grana ou tem tempo de

sobra, vale a pena, pois custa apenas R$ 0,40 por pessoa e é confiável), descemos na

estação Ministro Carranza e embarcamos no nosso amigo subté pela linha verde, em

direção a nossa casa.

Destaque do dia: fiquei em dúvida entre as casinhas (e casarões) que margeiam a linha do

Tren de La Costa, inspiradas nos condomínios antigos de Gravatá (não os novos) - que

acho que nunca teremos no Brasil - e o show das fontes de água do Parque de La Costa ao

som do Queen. (Vou falar com o pessoal do Veneza Water Park. Talvez fosse ter gente

(aliás, muita gente) parando em cima do viaduto para ver “We are the Champions” e as

fontes coloridas dançando e jorrando... Formaria com certeza um grande

congestionamento na PE 001... É, talvez seja melhor deixar para lá.)

6o Dia:

19 de setembro 2010. Domingo.

Iniciamos a segunda metade do nosso passeio mudando o roteiro. Como dizia um

amigo meu “tudo de mais é muito”. A programação infantil tinha que dar uma parada, pois

os adultos queriam algo para eles. Hoje estaria previsto o Parque República de Los Niños

http://www.fundacionvalorar.org.ar/republica2008/, aquele parque que segundo o site,

por aqueles anos da década de 50, recebeu a visita de Walt Disney, que de tão encantado,

resolveu construir uma réplica deste parque nos Estados Unidos. (A diferença é que o de lá

prosperou...) Além disso, o parque fica a quase 60Km do nosso ap. e eu não tenho a menor

idéia de como fazer para ir sem ser de taxi, o que até para os padrões argentinos seria uma

fortuna.

Resolvemos então fazer a domingueira tradicional. Feira de Santelmo

http://www.ohbuenosaires.com/emportugues/buenosairessantelmo.htm, La Boca

http://www.ohbuenosaires.com/emportugues/buenosaireslaboca.htm, Casa Rosada

http://www.ohbuenosaires.com/emportugues/buenosairesplazademayo.htm e arredores.

Saímos tarde, por isso só deu para visitar a feira de Santelmo, o que não alterou em

nada nossa disposição. As fotos no La Bombonera e a Casa Rosada vão ficar para outro dia.

Fomos de subté para o bairro Santelmo e da estação Independência foram apenas 5

quadras a pé até a Calle (Rua) Defensa. O passeio vale a pena inclusive para as crianças. O

que elas mais gostaram foi a seqüência de estátuas humanas: um dançarino de tango, uma

criatura alada (parecido com um gárgula da idade média) e um Carlitos. Depois das

comprinhas para a família e amigos, chegou a hora da refeição. Passamos por um

restaurante chino que estava aberto na ida porém quando voltamos já estava fechado. Essa

hora foi um martírio. Já não agüentávamos mais carne (bife de chorizo) com papas fritas ou

salada. Queríamos algo mais consistente e mais nutritivo para as meninas. Descobrimos um

restaurante Árabe na Rua Humberto Primo, 527 entre Peru e Bolívar, o Habibi

www.habibiresto.com.

Resolvemos comer ali inicialmente por causa da fome, mas a comida estava

simplesmente deliciosa. Pedimos uma Papa Rellena, um Fatayer de queso, um Pollo al

horno e para mim o mais gostoso de todos, um Shish kebab (que tem a aparência horrível!).

Quase mandamos o garçom voltar com o prato, pois achávamos que era engano, mas no

final, não deu para quem quis, e ainda levamos para o restodontê.

Destaque do dia: as meninas perderam um dente cada uma. Maria Letícia, no banheiro do

restaurante (só imagino Marcela acocorada procurando o dente no chão do banheiro

pensando: se eu não achar, Cris vai me matar!!!”). Já Aninha o perdeu em casa, na hora de

dormir, já deitada, cutucando, entortando o dente... Chegou na sala gritando e chorando

com o dente na mão, e as mães desesperadas, achando que ela tinha caído da cama ou algo

assim. Maria Letícia escreveu uma cartinha ao Ratón Perez (a fada dos dentes daqui)

pedindo logo dez reais!!!! Como o Ratón é argentino, mandou vinte pesos, o que foi um

câmbio justo.

7o Dia:

20 de setembro 2010. Segunda feira.

Hoje prometia ser um daqueles dias complicados. Tínhamos programado a visita a

Casa Rosada e ao Estádio do Boca Juniors (La Bombonera) que não fizemos ontem e de

quebra um Show de Tango à noite. Seria preciso que as meninas dormissem à tarde para

agüentar o show até meia noite, coisa que não tinham feito ainda...

Não é que deu tudo certo? Fomos de metrô Linha Verde até a Estação Congresso.

Aproveitamos para trocar nossos reais, dólares e Travelers Checks por pesos no

Banco Piano, que soubemos e logo comprovamos que tinha uma excelente cotação, com o

objetivo de pagar o Show de Tango.

Logo depois, visitamos a Casa Rosada, Plaza de Maio, Congresso e pegamos dois

taxis (sete reis cada) para o Bairro La Boca, e atendendo um desejo incontido de Marcela,

fomos direto ao Estádio (cancha do Boca).

Depois dos souveniers de praxe, as meninas dormiram, exaustas... Então Cris,

estrategicamente se ofereceu para ficar com elas deitadas no auditório, enquanto eu e

Marcela, devidamente uniformizados do Sport, fomos fazer a visita guiada ao estádio.

Para mim não foi surpresa encontrar mais duas pessoas com a camisa do Sport,

além de mais uma família inteira uniformizada com o padrão rubro-negro, já que existem

torcedores do Leão da Ilha espalhados pelo mundo inteiro.

O tour custa R$ 20,00 e dura aproximadamente 45 minutos. Os amantes do futebol

aproveitam para sentir a emoção de entrar num estádio (mal projetado, diga-se de

passagem, pois há espaços onde a visibilidade é quase zero - A Ilha é mais confortável...)

onde a proximidade com a torcida é tanta, que os adversários tremem. Um clube que tem

110 mil sócios cadastrados (o Sport talvez tenha 10% disto pagando em dia) é uma

referência a qualquer clube do nordeste.

Voltamos ao apartamento de taxi, devido ao cansaço a às meninas estarem

dormindo. Um percurso de 10km saiu por R$ 22,00, o que valeu pelo conforto.

Depois de uma boa refeição, fomos nos arrumar para esperar a condução que nos

levaria ao tão esperado Show de Tango na Casa Sabor a Tango

http://www.saboratango.com.ar/.

Segundo o guia que nos vendeu, foi a única casa ainda existente que Carlos Gardel

tocou, o que achamos que não seria uma boa referência até porque ele morreu em 1935 e

de lá para cá podia ter mudado alguma coisa.

Mesmo assim fomos e não nos arrependemos. O show é espetacular. Letícia até

chorou com a interpretação de Evita Perón, “não chores por mim Argentina”.

Depois de jantarmos e assistirmos a um show com 1 hora e meia de boa música,

tango e milonga de boa qualidade além de um pouco de teatro, voltamos para casa,

exaustos, mas felizes. Desde que estávamos organizando a viagem, Cris queria ir a um show

de tango, porém o cansaço acumulado quase a fez desistir no final da tarde. Ainda bem que

valeu demais o esforço!!!

Destaque do dia: a casa de tango oferece uma aula grátis de aproximadamente 1h. Os

professores são bem animados e eu e Cris tentamos, e até conseguimos sair do lugar e

ensaiar uns passos que prometemos vamos aperfeiçoar quando voltarmos para casa.

8o Dia:

21 de setembro 2010. Terça feira.

Depois de uma semana, o ritmo começa a diminuir. Já não estamos seguindo nosso

roteiro pré-estabelecido, mas o que importa? O que vale é fazer o que dá vontade, o que nos

impulsiona, o que nos faz viver.

Hoje desistimos do Temaiken, http://www.temaiken.com.ar/, pois tínhamos que

pegar o Bus 60 na Plaza Itália, em frente ao zoológico e rodar 51Km num coletivo semi-
rápido, para ver um parque que até vale a pena, mas preferimos (leia-se: as mulheres)

descobrir os outlets de Buenos Aires.

Depois de uma caminhada de 15 quadras, ou seja, 1,5Km pela Av. Raul Scalabrini

Ortiz apreciando as paisagens e as vitrines, chegamos à Av. Córdoba, onde nos deparamos

com uma infinidade de lojas, umas mais caras, outras mais com as nossas caras.

Compramos roupas, sapatos, mais souvenires, e entre algumas pechinchas encontrei

três tênis Reebok por AR$ 150,00 cada e Marcela comprou dois Adidas sendo um por AR$

99,00, ou seja, menos de R$ 50,00.

Se são originais, não sei, só sei que o que é original não se desoriginaliza.

Voltamos para casa, cansados, mas felizes (principalmente as garotas), e com o

cartão quase estourado...

Destaque do dia: Na volta das compras paramos no Mc Donald ́s (pra variar!!), e as meninas

queriam saber se o espaço dos brinquedos estava liberado. Maria Letícia veio me perguntar

como se dizia “posso brincar agora?” em espanhol. Antes que eu respondesse, Ana Letícia,

inspirada por Didi Mocó sapecou essa: “será que é: ARÔÔÔ?”

P.S: Acho que Patty (a pediatra de Lelê) não vai gostar muito do nível de colesterol

adquirido por ela nesta viagem... Haja batata frita no Mc Donald ́s!!!!

9o Dia:

22 de setembro 2010. Quarta feira.

Hoje estamos pretendendo ir ao Zoológico de Palermo. É perto, dá para ir

caminhando e achamos que será um passeio bem divertido.

Pra não perder o costume, no caminho paramos para mais compras...

Comparado ao Horto de Dois Irmãos ou ao Zoológico de São Paulo, o de Buenos

Aires http://www.zoobuenosaires.com.ar/ é até pequeno, mas é bem servido de animais e

é super limpo e organizado, além de ficar em área urbana e ao lado da estação do Metrô.

Pagamos cerca de R$ 10,00 (dez reais) pela entrada cheia e lá são vendidas comidas para as

crianças e adultos alimentarem os animais (que ficam bem próximos dos visitantes). Foi

impagável a alegria e diversão do grupo.No final do passeio, resolvemos dar uma esticada no Shopping Alto Palermo. Além

de ver as vitrines, paramos na Praça de Alimentação para ver se conseguíamos variar um

pouco nosso cardápio. Conseguimos.

Depois do bom e velho macarrão Shop Suey (Cris falou: FINALMENTE, vou comer

verdurassss!!!!) da King Dragon partimos para a sobremesa regada a sorvete. Do Freddo,

claro!

Destaque do Dia: Pela primeira vez tivemos um destaque negativo: a comida do Zoológico.

No site é informado que não precisamos levar comida, pois a Praça de Alimentação é bem

servida. Se algum dia voltar lá, vou me lembrar que além de muuuito ruim, é caríssima.

Para não ficar só no destaque negativo, o sorvete de Chocolate e Framboesa (mitad mitad)

da Sorveteria Fredo é espetacular.

10o Dia:

23 de setembro 2010. Quinta feira.

Além de ser nosso último dia, era o aniversário de Cris. Talvez por esse motivo eu a

tenha deixado dormir até quase o meio dia. Só eu acordei cedo, fui caminhar pelas ruas do

bairro. Passando pelo Boulevard Charcas encontrei vários barzinhos e restaurantes que

com certeza farão parte do nosso próximo roteiro a esta cidade tão fascinante.

Na volta comprei-lhe um buquê de flores numa floricultura que paquerava desde o

primeiro dia. Eu nunca tinha visto umas flores tão intrigantes. Eram brancas, com desenhos

que pareciam feitos à mão, verdadeiras obras de arte divinas.À tarde, ainda deu tempo para Cris e Marcela voltarem aos Outlets da Av. Córdoba

para conferirem se a operadora do cartão tinha aumentado os limites. Não é que ainda deu

para comprarem mais????

Na volta, a mala de Marcela quase não fechava de tanta coisa.

Destaque do Dia: A presteza dos proprietários do apartamento. É que o taxista que fizemos

contato para nos levar ao Aeroporto se confundiu e não foi nos buscar no horário marcado.

Pense num estresse, eu feito um louco tentando parar os taxis no meio da rua, e o tempo

passando, e muitos sem querer nos levar alegando que era distante, que tinha muita mala,

que tinha outra corrida, que tinha muito trânsito, que não tinha gás no carro, até que o

dono do apartamento se prontificou a nos ajudar e conseguiu parar dois taxis.

Apesar do prejuízo (justificado pelo estado de necessidade) conseguimos chegar no horário

previsto ao aeroporto. O que seria da vida sem os imprevistos, as situações pitorescas? No

final tivemos uma estória para contar.

Ah, Cris não se separou de seu buquê de flores até o piloto do avião informar que

quem desembarcasse com plantas ou animais no Brasil teria que passar pela Vigilância

Sanitária. Pensamos até em escondê-lo na mala, mas logo depois ele informou que essa

atitude seria crime, então contentamo-nos e resolvemos imortalizá-lo através de fotos.

Rogério conseguiu comprar aquela garrafa de Amarula no Free Shop por U$ 16.50

(que na ida estava por U$ 21.00, lembra?) e voltou com a sensação de que dava para ficar

mais uns dias por lá, desde que fossem evitados os outlets.

Marcela conseguiu comprar quatro garrafas de Johnny Walker para o seu pai, e mais

ainda, descobriu o quanto ama sua cama e seu colchão durinho...

Aninha, ao abrir a porta de desembarque, deu um ‘pique’ tão grande e driblou todo

mundo até chegar diretinho aos braços de seu pai... Causou uma comoção geral, e porque

não dizer uma inveja (boa) nos seus avós e tios. Foi difícil fazê-la largá-lo...

Letícia, provando que é filha de Cris mesmo e sabendo apreciar as coisas boas da

vida, voltou dizendo: “Papai, eu quero morar em Buenos Aires...”

E todos, sem exceção, voltaram morrendo de saudades da comidinha de nossa

terrinha... Eita, comida boa como essa não há!

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