PARABOLICAMARÁ II
(Antes mundo era pequeno, por que terra era grande, hoje mundo é muito grande, por
que Terra é pequena...) Gilberto Gil
Diário de Bordo de Santiago (Chile)
O destino:
Fazia tempo que Eduardo e Fátima nos chamavam para viajar a Santiago. Diziam até
que era melhor que Buenos Aires (onde já estivemos um par de vezes). Não era a primeira
vez que iríamos viajar juntos. No distante ano de 2001 fomos de carro até Itabuna, terra
natal de Eduardo. Já em 2012 fomos, eu, Cris, Letícia, Eduardo, Fátima, Lucas e Laís para
Gramado. Foram apenas quatro dias mas que de tão intenso, nos credenciou para
encararmos uma ida juntos aos Parques de Orlando em dezembro do mesmo ano.
No começo nós relutamos, pois estávamos nos programando para ir a Londres pela
terceira vez. Ou melhor, estávamos nos progamando pela terceira vez para ir a Londres,
coisa que ainda não aconteceu. O sonho de Cris é conhecer a Grã-Bretanha. Tínhamos
pensado em organizar para este ano, pois já tínhamos viajado durante meu aniversário
(Orlando – Setembro 2011), durante o aniversário de Letícia (Orlando – 2012). A próxima
pedida seria realmente uma viagem de presente de aniversário para Cris.
Mas já viu alguma mãe que não abdica do seu sonho em favor do sonho do filho? (No
caso nosso, da filha...)
- Mamãe, papai, lá em Londres tem neve?
- Não, minha filha.
- E o Chile tem?
- Em julho tem.
- Então eu queria ir para o Chile. Eu queria conhecer a neve!
E foi após essa calorosa conversa em família que demos um até breve a Londres.
Alguns poucos meses após pagarmos a viagem à Flórida, já estávamos lá de novo na
internet à busca de promoções. Foi um tal de milhas pra cá, milhas pra lá. Estou te devendo
quantas milhas, mesmo? Será que não é melhor pagar em dinheiro? Bom, como Fátima
tiraria férias no início de agosto, período ainda considerado alta estação, 20 mil milhas a
ida e 15 mil milhas a volta não foi tão ruim assim. No total, 35 mil milhas mais R$ 178,00 de
taxas de embarque por pessoa. No final, passagem comprada.
A hospedagem:
Comparamos os preços de alguns hotéis nos sites da Coobrastur, Decolar,
Hotéis.com e Booking. Decidimos pelo último e escolhemos o Apart Urbano Bellas Artes
que tinha uma boa referência e preços bem justos. O hotel (como o nome diz, um apart
hotel) tem duas entradas, uma para a Calle Huerfanos e outra para a Calle Merced. É
formado por quatro blocos de aparts num bairro bem movimentado perto da estação de
metrô Bellas Artes e do Cerro Santa Lucia. Conversando com Alejandro, um Argentino
radicado em Santiago que trabalha como recepcionista do hotel, soubemos que tem mais de
trinta administradoras de aparts compartilhando este espaço e, segundo o próprio, o Apart
Urbano Bellas Arts não é o maior, “pero es el mejor”. Nosso apartamento tinha um quarto
com suíte e uma sala com cozinha americana, internet e calefação satisfatória. Bem
interessante para duas ou três pessoas. Embora o de Eduardo e Fátima tenha passado dois
dias sem internet, após a reclamação o problema foi resolvido. Para facilitar a vida de quem
fica num apart, logo ao lado da recepção, pela saída da Calle Merced, há um supermercado
com boa variedade de ítens que nos salvou nos momentos mais difíceis.
Os custos:
Santiago não é uma cidade barata, pelo menos na parte turística. A média de
refeições girava em torno de R$ 50,00 por prato individual nos restaurantes. Como
estávamos turistando, procuramos nos alimentar nos lugares indicados, o que eleva um
pouco os custos. O metrô e os taxis são mais baratos e levam aos lugares de interesse, o que
faz com que não seja necessário alugar um carro. Nossa estadia para três pessoas custou
aproximadamente R$ 200,00 por dia. Encontramos passeios para as atrações (neve, praia e
vinícolas) por preços bem variados. Vale a pena pesquisar.
A viagem:
1o dia:
09 de agosto de 2013. Sexta-feira.
Nosso vôo partiu pontualmente às 2 horas da manhã e já às 5 estávamos aportando
em Guarulhos para nossa primeira conexão. Após o maior corre-corre no aeroporto,
partimos às 7 da manhã para Santiago no Chile. A chegada com o avião sobrevoando a
Cordilheira dos Andes já nos fez imaginar o que nos esperava. Às 11h (10 horas em
Santiago) chegamos e fomos procurar um traslado para o hotel. Uma van para cinco
pessoas com malas custou U$ 45.00, uns R$ 100,00 na cotação de hoje.
Como chegamos muito cedo (o check in do hotel era às 14h) deixamos as malas na
recepção e fomos bater pernas. Almoçamos no Restaurante Partners descendo a Calle
Huerfanos uns dois quarteirões. Comida boa e preço razoável com uma garrafa de Vinho
Missiones D’Rengo Merlot, safra 2009. Quem sabe voltaremos outro dia para jantar.
Cruzando a Calle Ahumada encontramos diversas casas de câmbio e aproveitamos para
conhecer os arredores do hotel. Andamos bastante, decidindo onde faríamos o câmbio.
Impressionante é a quantidade de cães que vivem soltos nas ruas! No final, foi um pouco
cansativo, ainda mais depois de uma viagem durante a madrugada muito mal-dormida...
De volta para o check in, arrumamos as malas, descansamos e saímos para jantar. Todos
empacotados, pois fazia por volta de dez graus. Saímos caminhando em direção à avenida
mais movimentada, olhando lojas, vitrines e preços pelos arredores da Calle Ahumada.
Resolvemos parar para jantar no Ristorante La Pícola Itália (que eu particularmente não
recomendo), localizado próximo a Universidade de Chile e a Iglesia de San Francisco e
voltamos para dormir.
Destaque do dia:
Santiago tem uma grande quantidade de cães soltos nas ruas. São de porte grande,
mas tão bem comportados, e em sua maioria, não aparentam ser sujos; Não incomodam e
chamam atenção por serem muito bem alimentados! Como pode, um cão de rua
gorduchinho? E quase nenhuma caca pelas ruas.
2o dia:
10 de agosto de 2013. Sábado.
Hoje programamos uma visita na Vinícola Concha y Toro. Os translados nas agências
variavam de 65.000 pesos para os cinco (R$ 312,00 aproximadamente) a 29.000 pesos por
pessoa na agência TURISTIK (o que dava R$ 140,00 por pessoa aproximadamente).
Resolvemos seguir o conselho da recepcionista do hotel e fomos de metrô mesmo. Pegamos
a linha 5 Verde na estação Bellas Artes a uma quadra do hotel em direção a estação Vicente
Valdês, de lá pegamos a linha 4 Roxa em direção a Plaza de Puente Alto e descemos na
penúltima Estação: Las Mercedes. Por fim pegamos um taxi para a Vinícola. Com as cinco
passagens de metrô (3.000 pesos ou R$ 15,00), mais o taxi também 3.000 pesos gastamos
R$ 30,00 para ir e o mesmo para voltar. Após aproximadamente uma hora de percurso,
chegamos ao destino. O gostoso desse tipo de deslocamento é que você vai se integrando
mais à rotina do local. Esse é o tipo de turismo que gostamos.
Nesse período de alta estação, foi bom ter feito reserva. Nosso guia Marco nos levou
para uma degustação de dois deliciosos vinhos e depois um tour pelas áreas de plantio e
produção, além de uma visita na casa sede da fazenda, o que normalmente não é
disponibilizado nos grandes grupos. A propriedade é toda de uma beleza fantástica. Dentro
da casa, vimos detalhes muito interessantes do funcionamento do dia-a-dia e dos costumes
da época. É sempre muito gostoso ouvir a história contada com essa riqueza de detalhes;
visitamos o ‘Salão dos varones’ e o ‘Salão das damas’, vimos uma toalha de mesa original,
onde havia marcas dos pingos das velas que derretiam e caíam do lustre suspenso sobre
uma mesa.
Com a economia no transporte, aproveitamos para almoçar na própria vinícola,
regado a um bom vinho (Concha y Toro Gran Reserva, recomendado). A comida deles é
realmente deliciosa, principalmente as empanadas de entrada e os pratos de cordeiro e
carne bovina. Refizemos o percurso na volta, ainda com direito a ‘show de música’ no
metrô. Letícia curtiu demais esse episódio. Após uma parada no supermercado próximo ao
hotel, fomos descansar. Ainda tentamos marcar para tomar um vinho no apartamento, mas
ninguém aguentou o cansaço. Fomos dormir mesmo.
Destaque do dia:
Ouvimos comentários do tipo: vocês foram de metrô???? Por quê? Bem, primeiro
porque achamos que poderia ser uma experiência interessante conhecer a cidade sob o
ponto de vista dos santiaguinos; Segundo, pela economia mesmo.
O ponto alto do passeio foi ter escutado uma dupla (sanfona e violão) cantando músicas
típicas dentro do vagão do metrô. Letícia ainda falou: “Papai, estes sim merecem uma
gorjeta!”
Destaque do dia II:
O primeiro vinho que degustamos deixou saudades. MARAVILHOSO! Casillero del
diablo, Gran Reserva. Ficamos apaixonados por aquele sabor. Infelizmente estava em falta
na vinícola, e até tentamos procurá-lo no comércio nos dias em que se seguiram, mas não
achamos. Ficamos só na vontade de repeti-lo...
3o Dia:
11 de agosto de 2013. Domingo.
Hoje, dia dos pais no Brasil, era no Chile o “dia de los Niños”. Só viemos descobrir
isso no final da tarde, quando Cris perguntou a uma atendente em uma loja. Tínhamos
programado um tour pela empresa Turistik. Aquela dos ônibus vermelhos de dois andares.
O tour custa 20.000 pesos por pessoa (uns R$ 100,00). Neles você pode subir e descer
quantas vezer quiser e passa outro ônibus a cada meia hora no mesmo lugar. Acabamos
não fazendo o passeio porque saímos um pouco tarde para comprar os tickets no Mercado
Central, e ainda por cima fomos passeando e conhecendo a cidade. Curtindo, como
gostamos de fazer. No meio do caminho esbarramos com o Museu de Bellas Artes. Estavam
disponíveis cinco exposições, entre elas de esculturas, pinturas e fotos. Resolvemos entrar
e como havia uma programação infantil, ficamos lá algum tempo. Já na hora do almoço
chegamos ao Mercado Central e fomos procurar um lugar para almoçar. Não tínhamos
nenhuma referência, então entre as ofertas dos ‘caça-turistas’, escolhemos o Restaurante
EL Galeón. Nem tanto pelo preço, mas pelo fato de ser um ambiente organizado e
climatizado, neste segundo aspecto até destoando do lugar. O prato típico - a Centolla (um
carangueijo vermelho gigante com acompanhamento) não é barato; Gira em torno de
40.000 pesos, uns R$ 200,00, mas vale pelas fotos e pela novidade. Como já sabíamos que
esta seria uma viagem muito voltada para o lado gastronômico, topamos. O gosto lembra
mais o da lagosta do que do próprio carangueijo. O vinho escolhido foi o Casilero del Diablo
Reserva Savignon Blanc safra 2012 para combinar com os frutos do mar.
Ainda dentro do mercado conhecemos Henrique, um bom baiano da terra de
Eduardo que veio estudar espanhol aqui. Estava trabalhando na Agência de Turismo
GEOTUR cuja sede é, imagine só, dentro do próprio mercado. Ele nos relatou que a agência
iria fechar por falta de movimento. Entretanto, o dono teve uma idéia: Como 70% dos
turistas do Chile eram do Brasil, resolveu contratar vários funcionários brasileiros para
facilitar a venda de pacotes. Deu sorte... A agência agora está bombando. Fechamos com ele
um passeio para o Valle Nevado e Farellones, com direito a La Parva e El Colorado pra a
terça feira. Saiu por R$ 18.000 pesos por pessoa (uns R$ 90,00), com meia entrada para
Letícia. Ao final, passeamos pelo mercado, compramos souveniers e voltamos para o hotel.
No caminho, umas fotos no Cerro Santa Lucia, onde não ficamos mais tempo porque
começou uma chuva fina. Decidimos parar para comprar umas pizzas e tomar o vinho que
estava gelando desde ontem (um Root 1 Cabernet Sauvignon).
Destaque do dia:
Na saída do Museu de Bellas Artes, vimos um tumulto de repórteres e jornalistas.
Sem saber do que se tratava, ficamos olhando aquele senhor cumprimentando as pessoas,
beijando as criancinhas e acenando. Imaginamos até se não seria um ator de TV.
Perguntamos a uma ‘Carabineira de Chile’ de quem se tratava. Ela respondeu: “és nuestro
Presidente, Sebastián Piñera.” Estávamos tão relaxados e distraídos que nem no celular deu
tempo de ‘sacar una foto’... Se eu soubesse antes, tinha tirado uma foto também!
Letícia falou na hora:
- Poxa, eu vi o presidente do Chile, mas nunca vi a presidente do Brasil!
- É filha, são coisas de um país continental...
4o Dia:
12 de agosto de 2013. Segunda-feira.
Hoje amanheceu chovendo. Pensamos em dar uma olhada nos outlets (que aqui se
pronuncia “aulet”), porém o recepcionista do hotel nos convenceu a ir ao Shopping Parque
Arauco, dizendo que estava em promoção. Ainda nos deu uma dica de como ir de metrô
usando o ‘passe-fácil’ dele.
Pegamos o metro na estação Santa Lucía (linha verde) e descemos na estação
Escuela Militar. Logo acima da estação tem umas paradas onde poderíamos pegar os ônibus
C11 ou C20 usando o mesmo cartão do metro. De lá para o Shopping é bem rápido e
tranquilo. (Dias depois conhecemos uns brasileiros que foram até lá andando, mas é uma
tirada grande.) Bem, o que devemos esperar de um shopping? Ora, mesmo em Santiago, um
shopping é um shopping. Lojas de shopping, decoração de shopping, comida de shopping. E
por falar em comida, almoçamos no Restaurante Tierra del Fogo. Mesmo depois da nossa
volta ao Brasil, fomos unânimes em reconhecer que foi uma péssima pedida. Não
compramos nada, mesmo com lojas oferecendo desconto de 50% em algumas peças...
Resolvemos voltar ao Centro, pra ver se conseguíamos ao menos salvar o restinho do dia
achando algo interessante por lá. Descemos perto do Palácio de La Moneda e ao chegarmos
lá havia mais uma exposição de costumes e da cultura africana, bem direcionada para
crianças. Mais uma vez, mudança de planos... Liberamos Fátima e Eduardo para irem fazer
as compras que eles estavam querendo e resolvemos ficar com Letícia lá. Ela curtiu muito,
não nos arrependemos. Havia joguinhos interativos, espaço para treinar as danças típicas e
para desenhar, bem como uma exposição de ‘origamis’ de animais nativos em tamanho
real. Muito legal! Ficamos umas 2 horas, depois seguimos o caminho de volta para o hotel,
ao encontro de Fátima e Duda. Jantamos no quarto mesmo e fomos pra cama. Amanhã
tínhamos que acordar bem cedo!
Destaque do dia:
Tinha que ter um dia com destaque negativo. A ida ao Shopping não foi uma boa,
mas como estava chovendo...
5o Dia:
13 de agosto de 2013. Terça-feira.
Hoje foi o dia da neve. O tão esperado dia!
A van contratada na GeoTur passou no hotel às 7:00 e após um pouco de trânsito na
saída de Santiago, paramos na loja de aluguel de equipamentos. Mesmo para quem não vai
esquiar, deve-se alugar bota, calça e jaqueta impermeável. Custou 8.000 pesos cada peça de
roupa (uns R$ 40,00). Vestimo-nos lá mesmo e logo depois seguimos em direção ao Valle
Nevado. Depois de mais de quarenta curvas, chegamos, tiramos foto, brincamos um pouco
na neve e voltamos para Farellones, que fica até antes. Na verdade acho que as pessoas
normais (que não são esquiadores) só vão ao Valle Nevado para tirar foto. Todos nós
achamos Farellones muuuuito melhor. Os guias só passam primeiro em Valle Nevado
porque se forem a Farellones, ninguém quer sair de lá. E se você chegar ao Brasil de volta
sem ter ido ao Valle Nevado, ninguém vai acreditar que você esteve em Santiago, ou seja, da
primeira vez tem que ir. Em Farellones tem tubbing (como eles chamam o ‘skibunda’ de lá,
ou seja, uma bóia em que você desce escorregando na montanha), rapel com trilha na neve,
aulas para iniciantes (de ski e snowbord), além da possibilidade de fazer boneco de neve.
Fora a comida que é cara e ruim, o resto foi só diversão. Como já tinham nos avisado desse
detalhe da comida, fomos abastecidos de água e lanches, o que ajudou a nos virarmos até a
volta.
Destaque do dia:
Antes de chegar às estações de esqui, dá para parar o carro (ou a Van) no meio do
caminho e brincar na neve sem pagar por isso. Ficamos brincando e chamando essas
paradas de “Farofones”. Tem muita gente que passa o dia inteiro fazendo picknick por lá.
As famílias vão para passar o dia e curtir a neve mesmo. É como a gente aqui, vai pra uma
praia mais distante e só volta no final do dia.
Mas o destaque MESMO foi que nada paga a alegria de Lelê quando estava brincando
no tubbing, depois de guerra de neve e por último fazendo seu querido boneco de neve que
ela batizou de “Nevito”. Foi diversão para o dia inteiro! Como ela mesma falou, realizou dois
sonhos: conhecer a neve e fazer um boneco de neve. Valeu muito a pena.
6o Dia:
14 de agosto de 2013. Quarta-feira.
Saímos tarde neste dia. Seguimos passeando um pouco e almoçamos pela rua
mesmo, numa lanchonete que gostamos bastante, “Pollos Tarragona”. Neste dia, Letícia já
começou o dia bem cansada. Não era para menos, ela estava num ritmo puxado e ontem foi
um dia intenso... De lá, Fátima, Cris e Lelê seguiram para o Cerro Santa Lucía para esperar
eu e Eduardo, pois precisamos fazer mais um ‘cambio’. No Cerro pra variar, mais uma
sessão de fotos.
Reservamos o final da tarde para conhecer o Patio Bella Vista que fica bem perto da
estação de metrô Baquedano, onde se faz a baldeação entre as linhas verde e vermelha. Lá
há uma concentração de bares e restaurantes bem legais, além de lojinhas onde
encontramos umas jóias e semi-jóias feitas com uma pedra que só encontramos no Chile:
Lápislázuli. Depois de algumas aquisições, paramos para mais fotos.
Resolvemos jantar no concorridíssimo e premiadíssimo Como Água para Chocolate,
que fica bem pertinho do Pátio, na Calle Constituicion, 88. Tivemos que chegar antes das
19h já que não tínhamos feito reserva. O lugar é aconchegante e lindo! A decoração, como
sugere o nome, toda inspirada no livro/filme. Depois de pensar um pouco, para não errar,
todos pediram o “Nuetro Congrio de Siempre”(o Côngrio é um peixe típico do Chile, muito
saboroso) gratinado com espinafre. Infelizmente as palavras não tem a capacidade de
transmitir a real sensação que tivemos no paladar e no olfato. Então ficaremos devendo
isso. Para beber, fomos de Errazuriz Max Reserva Cabernet Sauvignon e logo depois um
Carmenere da mesma vinícola. Depois de duas garafas de vinho, e satisfeitíssimos com
nosso final de noite, resolvemos que iríamos voltar de metrô mesmo, mas não sem antes
caminhar pelos arredores, testemunhando como essa cidade é vibrante e musical a cada
esquina. Eduardo conseguiu filmar uma Street dance bem interessante bem pertinho da
estação do metrô.
Destaque do dia:
Esse Côngrio com espinafre do ‘Como Água Para Chocolate’ que infelizmente acaba
logo, foi o destaque não só do dia como da viagem toda. Fátima sempre falava muito dele,
mas não tínhamos idéia da maravilha que era! Cada vez que lemos e lembramos, dá água na
boca...
7o Dia:
15 de agosto de 2013. Quinta-feira.
Hoje é feriado nacional. Dia da Virgen de La Concepción. Acordamos cedo, pois
tínhamos agendado nosso city tour pelas cidades de Viña del Mar e Valparaíso. Foi muito
providencial este passeio neste dia, pois Santiago estaria com tudo fechado. O passeio pela
GeoTur custou 18mil pesos, por volta de R$ 90,00 por pessoa, embora se possa ir de carro
alugado ou até de ônibus de linha que sai do terminal Rodoviário Alameda (empresas
Pullman e Turbus). Achamos que com guia iríamos perder menos tempo. Logo às 8:00
nossa van chegou ao hotel e fomos coincidentemente, um grupo de 13 brasileiros
juntamente com Glória, uma única senhora colombiana que viajava sozinha. Porém vale
destacar que os demais passageiros ou eram nordestinos ou já haviam morado muito
tempo no Nordeste. Mundo pequeno...
Na ida paramos na Vinícola Veramonte para esticar as pernas e dar uma passada na
casa de baños. Mas para quem já tinha ido à Concha y Toro, esse passeio poderia ter sido
suprimido.
A cidade portuária de Valparaíso dista aproximadamente 120Km de Santiago e é a
sede do legislativo chileno. Logo na chegada demos uma passada em La Sebastiana, uma
das Casas-Museu do escritor chileno Pablo Neruda. A vista é muito bonita, além das obras
de arte do referido artista. Seguimos até o “Paseo 21 de Mayo” - onde fica o Museu Naval e
uma feirinha de artesanato. Só soubemos depois, por isso me arrependi de não ter entrado,
mas esse museu além de contar a história da Marinha Chilena guarda a cápsula Fênix que
foi responsável pelo resgate dos mineiros chilenos soterrados num acidente em uma mina
no ano de 2011. Talvez tivesse sido um pesseio legal... Fica para a próxima. De lá também
se pega o Funicular descendo (ou subindo) até a praça Wellright que fica 80m morro
abaixo. É barato, por volta de R$ 1,00, mas é importante dizer: O tal do funicular todo feito
de madeira fazendo um trajeto inclinado, faz tanto barulho que parece que vai se
desmontar todo. Foi engraçado imaginar: “Será que esse negócio vai conseguir parar
mesmo?” - Mas chegamos todos sãos e salvos. Nosso guia estava nos esperando lá embaixo
para continuar o passeio até a Plaza Sotomayor. Para terminar nosso tour por Valpo, como
é carinhosamente chamada, pegamos um barco de paseio e fomos ver a cidade de outro
ângulo. Do mar pudemos ver os navios do porto e da Marinha, além dos mais de 40 cerros
onde vive a maioria da população dessa cidade que à primeira vista parece uma grande
favela, mas quando se conhece, é bem interessante.
Quando fizemos o passeio de barco vimos uns três lobos marinhos em cima de uma
bóia de sinalização. Sinceramente, ficamos pensando, com aquelas patinhas tão miudinhas,
como é que eles conseguiram subir naquele lugar tão alto com aproximadamente quatro
metros de diâmetro? A explicação mais plausível – e cômica - é a de que eles caíram ali após
o Tsunami de fevereiro de 2010 – o qual causou ondas de mais de 2,5m de altura - e
ficaram agarrados naquela estrutura... Provavelmente são alimentados pelos pescadores e
ninguém tem coragem de tirá-los de lá, pois já viraram atração turística. Se eles porventura
saírem de lá, não imaginamos como colocá-los de volta, devido ao peso de cada animal
daqueles!
Ao lado de Valpo está Viña, uma cidade mais moderna, com seus prédios luxuosos, o
Cassino(que está arriscado ser fechado, devido à concorrência com outro mais perto de
Santiago), seu calçadão e seus restaurantes chiques. Depois de conhecermos o Relógio de
Flores e o calçadão em frente ao Cassino, fomos almoçar. Esta foi a única vez que o almoço
não foi completamente regado a vinho. Almocei acompanhado de uma cerveja Cristal,muito boa, principalmente devido ao inesperado calor que fazia por estas bandas e
Eduardo foi de vinho da casa. As meninas foram de suco de frutas e água.
Destaque do dia:
Na volta ao hotel, subimos ao alto da torre ‘A’ onde fica a piscina do hotel e de onde
se tem uma vista bem linda da cidade. Bem próximo, estava tendo uma programação de
shows musicais, o que da vista superior desta torre ficava bem legal de visualizarmos. Lá,
Letícia e eu nos lembramos de uma música que gostamos de cantar juntos, e fizemos uma
serenata belíssima improvisada, claro. A música se chama “SIGA SEU RUMO” do grupo
Pimpinella (sim, é essa mesma, dos tempos de nossos pais!). Para quem não sabe ou não
lembra, o refrão é assim:
Mulher - Quem é?
Homem - Sou eu!
M – O que é que você quer?
H- Você.
M - É tarde!
H - Por quê?
M - Porque hoje sou eu quem não quer mais você!!!
M – Por isso, Fora! Esqueça meu nome, o meu rosto, esta casa. E siga seu rumo!
H – Não consigo compreender...
M - Fora, Esqueça meus sonhos, meu corpo, meu beijo, e todo meu mundo!
H- Está mentindo, posso ver!
M - Fora, tá tudo acabado, esqueça que eu vivo e não se surpreenda,
M - Esqueça de mim, que afinal pra esquecer, você tem experiência...
É importante ressaltar: Fátima teve uma crise de risos tão grande que pensamos que
ela fosse passar mal... Diante de momento tão expontâneo e engraçado, elegemos esta a
nossa Música-Tema da viagem!
8o Dia:
16 de agosto de 2013. Sexta feira.
Enquanto Fátima, Cris e Letícia foram dar uma olhada na cidade e nas lojas, Eduardo
e eu fomos ao Cerro Santa Lucía. Subimos até o cume e olhamos a vista espetacular da
cidade. Depois fomos almoçar no ‘Partners’ novamente, e partimos para o Cerro San
Cristóban. Fomos andando mesmo, mas confesso que foi um tanto quanto puxado. Esqueci
de avisar aos demais que os passeios pela ROGERTUR eram passeios “a dois”... A “DOIS
PÉS”! Embora desse para ir de metrô da estação Bellas Artes (linha verde) ou da estação
Santa Lucía (linha vermelha) até a estação Baquedano, cruzar o Rio Mapocho, ver os
barzinhos do Pátio Bella Vista e chegar à entrada do Cerro San Cristóban.
Logo na entrada do Cerro tem um centro de informações turísticas. O guia nos
informou que poderíamos subir umas escadarias até o Zoológico, passear e depois pegar o
funicular (aquele mesmo, que parece um trem de madeira bem antigo) que para na ida
numa entrada secundária. Como já eram 4 da tarde e o Zoo fechava às 5, decidimos
enfrentar uns vinte minutos de fila e subir pela entrada principal mesmo. A subida é rápida,
custou 2.000 pesos ida e volta (uns R$10,00), e dá para ter uma noção de como é a cidade
vista de cima. Ao chegar, mais escadas até chegar aos pés da imagem de ‘Nuestra Señora de
La Concepción’. Ficamos até o pôr do sol e deu para “sacar unas fotos” bem legais. Na
descida, paramos para tomar picolés e Eduardo e Fátima decidiram experimentar um
“mote con huesillos”, uma bebida típica chilena feita com água de caramelo, trigo cozido
sem cascas (o mote) e pêssegos desidratados (o huesillo).
Depois, demos uma pequena caminhada até o metro Baquedano para ir ao
Restaurante Giratório. Este restaurante, recomendado por Fátima desde a outra vez que
eles vieram a Santiago, fica exatamente em cima da Estação de metrô Los Leones (linha
vermelha). O jantar não foi barato. Cada prato gira em torno de 10 mil pesos (uns R$
50,00), mas a vista da cidade lá de cima compensou.
Destaque do dia:
Durante nosso passeio a dois (a dois pés) percorremos aproximadamente 2Km, segundo o
Google Maps, pelas calles de Santiago e não vimos nenhum buraco na rua e nenhuma
calçada estragada, ou seja deu para sentir o que é acessibilidade para o pedestre. Pode ser
que isso seja realidade apenas na região turística da capital, mas ao menos isso poderia
servir de inspiração para nossas cidades...
9o Dia:
17 de agosto de 2013. Sábado.
Infelizmente chegou o dia da nossa volta. Combinamos com o guia que nos levou para Viña
e Valpo para nos levar ao Aeroporto. Pagamos por volta de R$ 75,00 e na hora marcada
estava ele lá com sua van. No caminho nos disse que se nós gostamos de Santiago, iríamos
gostar mais ainda do Sul do Chile (Lagos Andinos, Chiloé, Puerto Montt, entre outros),
podendo ou não combinar com Bariloche. E nos contou estórias que nos empolgaram para
provar este novo destino numa próxima viagem.
Destaque do Dia:
Alguns dias antes, Letícia nos falou que só faltava uma coisa acontecer: Tanto em Buenos
Aires quanto em Orlando ela perdeu um dentinho de leite durante a viagem. E logo nessa
viagem isso não tinha acontecido... Ainda.
Pois não é que ao embarcarmos no avião, a comissária de bordo ofereceu uma balinha de
chocolate. Daqueles caramelos, bem grudentos; Resultado?
– Mamãããããããããe, minha boca tá sangrando!!!
E mais um dente se foi, grudado na bala. Só espero que quando ela cresça isso acabe, senão
ela só fará mais 32 viagens na vida...